| Remo adaptado |
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Confederação Brasileira de Remo aposta na superação de atletas especiais
Estudante de Educação Física sonha em se tornar instrutor profissional da modalidade adaptada
Por conta de um acidente de moto, que lhe deixou como seqüela uma lesão medular e, consequentemente, uma tetraplegia incompleta, Guilherme resolveu superar mais um desafio através do esporte. Ele está participando do Primeiro Curso Básico de Capacitação de Instrutores oferecido pela Confederação Brasileira de Remo, na Lagoa do Taquaral, em Campinas. Segundo o futuro instrutor de remo, esta é uma chance de se tornar multiplicador do ensino e de disseminar a inclusão. "Acho essa iniciativa fantástica. Primeiro por quebrar um tabu do estereótipo do profissional de educação física. Fazer o curso, me alimentar de conhecimento e exercer a função e provar que sem determinação, conhecimento e aprendizagem somos mais limitados que a própria deficiência me causa. Tem um valor social e muito de superação pessoal", conta Guilherme. Mas, engana-se quem pensa que Guilherme é apenas um iniciante na modalidade. Morador de Indaiatuba, ele já articula, junto à prefeitura, a incorporação do remo no calendário das atividades municipais. Ele conta que já existe uma raia de remo construída dentro do Parque Ecológico que, pela falta de orientação técnica, tem sido mal aproveitada. Com a conclusão do curso o estudante não medirá esforços para reativá-la. "Fizemos uma reunião com o secretario de esportes de Indaiatuba mostrando todo esse potencial que a cidade possui para ter um núcleo de ensino do esporte. A idéia é fazer dessa potencialidade uma realidade na cidade. Trabalhar para o esporte crescer, alavancar as medalhas olímpicas para o Brasil, formar cidadãos utilizando o remo como ferramenta", finaliza Guilherme. Especialista em remo adaptado, Fernando Carvalho Neto, que atualmente é técnico no Clube de Regatas Aldo Luz, em Florianópolis, comemorou a iniciativa da CBR e comenta sobre o resgate do Remo como um esporte de ponta, seja nas modalidades adaptada ou olímpica. "Esse curso vai muito além do contexto de aprendizado e, sim vem mostrar a grande mobilização da nova gestão de dar ao remo um novo modelo de gestão. É um planejamento do futuro do nosso esporte. Essa nova formatação, que cria de núcleos de remo em várias partes do Brasil irá alavancar a descoberta de novos talentos num período muito curto". De acordo com Carvalho Neto, que também foi um dos descobridores da atleta Fabiana Beltrame, medalhista de ouro nos Jogos de Medellín, na Colômbia, a inclusão de um deficiente físico na modalidade só mostra a versatilidade e a gama de possibilidades que o esporte oferece. "A modalidade adaptada hoje esta inserida no contexto do remo e nunca mais vai deixar de estar. A tendência é sempre crescer cada vez mais. A participação de um instrutor do remo adaptado portador de uma deficiência só vai engrandecer o remo mostrando a versatilidade e que está aberto a novas transformações". A segunda turma do Curso de Capacitação de Instrutores de Remo finaliza suas atividades neste final de semana. As aulas práticas na Lagoa do Taquaral podem ser acompanhadas pelo público das 8 da manhã às 6 da tarde.
O desenvolvimento do remo adaptado no Brasil ganhou força em meados de 2006, quando foi realizado o I Seminário de Remo Adaptado do país - "Remar é Possível". O evento divulgou todas as informações sobre essa modalidade esportiva adaptada às pessoas com deficiência: suas elegibilidades, tipos de barcos, treinamentos esportivos e especializados, características das pessoas e suas potencialidades, regras e regulamentos do esporte. Nos últimos anos, o remo atraiu o interesse de pessoas com deficiência, motivadas pelo desafio que a modalidade proporciona. Ao contrário da maioria dos esportes paraolímpicos, o remo adaptado destaca-se por promover a integração de pessoas com distintas deficiências. As categorias são divididas por graus de mobilidade (total, de coluna e braços e apenas braços). Ou seja, atletas com deficiências diferentes podem e devem remar em um mesmo barco. Esta é uma das razões do remo ser considerado um esporte de caráter inclusivo, já que permite que atletas com e sem deficiência façam parte da mesma equipe e compitam em condições de igualdade. Em 2001, a Federação Internacional de Remo (FISA) solicitou formalmente ao Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) a inclusão do remo nos Jogos de 2008. Em julho de 2005 a CBR reativou seu Departamento de Remo Adaptável. O Brasil foi representado em Beijing por nove atletas. O remo é o caçula das modalidades do quadro de esportes paraolímpicos.
O Brasil foi o primeiro país latino-americano a participar num campeonato mundial, no ano de 2004, em Barcelona. Em 2006, o Brasil trouxe três medalhas de ouro nos jogos mundiais realizados em Munique, na Alemanha. Já em 2008, em Pequim, a primeira medalha para-olímpica conquistada pelo remo (como um todo) veio com os atletas Elton Santana e Josiane Lima, na prova do skiff duplo misto, classe TA. |

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