| Planejamento e gerenciamento estratégicos |
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João B. Sundfeld (*) PLANEJAMENTO: Qual a causa do grande interesse no assunto? Os motivos que provocam e impulsionam os empreendedores e profissionais para melhor conhecer o assunto, a nosso ver, têm suas raízes em três grandes vertentes. A primeira foi o aumento da competitividade no mercado brasileiro após a abertura às importações a partir de 1990. Antes dessa época, predominava o regime protecionista de reserva de mercado impossibilitando a importação quando houvesse produto similar nacional. Diversos setores, como têxteis, calçados e informática tiveram que reformular suas atividades já que se tornaram alvos fáceis dos competidores estrangeiros A segunda vertente tem como premissa os bons resultados do Plano Real, a partir de 1994. Após longo período com taxas de inflação elevada e acostumadas a repassar, automaticamente, aumentos de custos aos preços, as empresas, de um modo geral, estavam despreocupadas em suas zonas de conforto, mas com a estabilização da inflação e submetidas à forte concorrência internacional, tanto em preços como na qualidade dos produtos, muitas empresas viram sua participação no mercado ser reduzida drasticamente, causando prejuízos. Sem preparo para competir, viram-se obrigadas a vender parte ou todo seu patrimônio. Neste inicio do século 21 uma nova situação esta desenhada. Novos programas de tecnologia da informação, certificação ISO 9000 e de aumento da produtividade foram eficientemente implantados, aumentando a capacitação das empresas para concorrer e criando condições de competição internacional em áreas específicas como, por exemplo, automóveis, têxteis, calçados, aviões, agroindústria entre outras.
A terceira vertente vem do recente aumento do risco de inflação e desaceleração econômica nos Estados Unidos, causando preocupação em todo o mundo. Apesar de, Brasil contarmos com uma situação de melhor equilíbrio na política monetária, as perspectivas de instabilidade e previsíveis turbulências nos mercados, tornam-se cada vez mais evidentes. É justamente nos momentos de crise só empresas que pratiquem um adequado planejamento estratégico conseguem navegar com mais tranqüilidade em mares agitados. Entendemos que os executivos das empresas identificaram a necessidade de planejar em prazos mais longos para escapar de turbulências conjunturais e o melhor instrumento para analisar a posição atual e refletir sobre o futuro é o planejamento estratégico com as seguintes atividades: 01. Definir as características do negócio: visão, missão, valores e objetivos atuais. 02. Analisar o ambiente em que a empresa compete, identificando os fatores-chave para o êxito do empreendimento e as variáveis externas e internas que afetam estes fatores. 03. Prognosticar os movimentos futuros das variáveis externas e identificar as ameaças e oportunidades, bem como identificar as potencialidades e fraquezas provenientes da análise da capacitação da empresa, diante das ameaças e oportunidades. Construindo a matriz PFOA. 04. Analisar, em detalhes, o setor ou ramo de negócio, identificando os concorrentes no grupo estratégico da empresa. 05. Reavaliar os objetivos de curto, médio e longo prazo. 06. Escolher as estratégicas de competição e crescimento a serem utilizadas e os objetivos em um horizonte de cinco a dez anos, quantificando e qualificando as metas e as ações estratégicas para atingi-las. 07. Elaborar um plano de ações contidas em cronograma de implementação com estimativas dos gastos previstos por ação. 08. Identificar os indicadores de desempenho para cada ação do plano. 09. Preparar o orçamento estratégico com projeções de resultados ano a ano e calcular os retornos dos investimentos, payback, valor presente líquido dos fluxos de caixa e investimentos, como também a taxa interna (TIR) de retorno. 10. Estabelecer planos de contingência para ocorrências fortuitas. IMPLEMENTAÇÃO: A dificuldade a ser enfrentada nessa etapa é a necessidade de mudanças nos comportamentos das pessoas. É a fase do gerenciamento estratégico. Nela são modificados antigos e anacrônicos sistemas de gestão pela incorporação de um novo olhar sobre a forma de administrar os negócios e que incluirá o pensar estrategicamente. Trata-se de mudança de cultura substituindo paradigmas superados e assimilando uma nova forma de realizar os trabalhos. As barreiras precisarão ser removidas. A alta administração deverá estimular toda a organização a assumir as ações estratégicas como imprescindíveis ao êxito da empresa. Finalmente, o prazo necessário para que o planejamento seja completado poderá ser de três a seis meses dependendo dos dados e informações já existentes e a serem obtidas. O Planejamento Estratégico terá revisões anuais a partir do ano da implantação. Assim, eliminamos o ano em curso e acrescentamos outro. Reconhecemos tratar-se de um programa que requer conhecimentos e grande dose de competência, mas que, seguramente, levará a empresa a melhores resultados. |

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